A vez dos nerds
Felizmente, no mundo de hoje (e que 2010 confirme este post!), os adolescentes nerds têm vez.
OK, o conceito de nerd pode ser discutível. Mas, vamos nos basear naquele sugerido pela Wikipédia: uma pessoa que exerce intensas atividades intelectuais, que são consideradas inadequadas para a sua idade, em detrimento de outras atividades mais populares.
Pois bem. Nerds são nerds. São aqueles adolescentes que lêem demais enquanto os outros fazem festa. Aqueles que usam a camiseta pólo da escola até na educação física, enquanto os outros usam regata. Aqueles que são menos orkut e mais games, menos flash e mais programação.
Tem uma parte da descrição da Wikipedia que aborda o nerd enquanto uma pessoa que tenha dificuldades de integração social e seja atrapalhada, mas que nutre grande fascínio por conhecimento ou tecnologia.
A tecnologia! Aí está o X, Y, Z, Ctrl C, Ctrl V da questão (como poderia escrever um nerd). A tecnologia sempre norteou o conceito de nerd, a exemplo da frase que conclui o conceito pela Wikipédia: O termo Nerd é normalmente dirigido a pessoas que utilizam o computador para executar ações que são consideradas avançadas por pessoas que não entendem o que foi feito, mesmo que seja um conhecimento básico e fácil.
Das considerações acima aparece a clara relação entre nerds & tecnologia. E a popularização dos nerds (que é o propósito deste texto) tem tudo a ver com… tchamram, tecnologia! Pensemos: qual foi a questão mais importante na mudança da cultura tecnológica, relacionada ao consumo de tecnologia dos últimos anos? A sua distribuição! A distribuição dos aparelhos foi ampliada, e, com isso, hoje a tecnologia está em todos os canais e pontos-de-venda. É acesso de (quase) todos.
A partir disso, a seguinte fórmula é fácil de entender: maior distribuição das tecnologias > aumento da popularidade sobre as mesmas > consumo de massa > produto pop > objeto de desejo por todos.
E os nerds, os primeiros e fiéis amigos dos apetrechos tecnológicos, tornam-se mais populares por, simplesmente, entender desse produto que se torna tão popular. Eles, que eram os excluídos, viram os salva-vidas das aulas de informática, os conselheiros digitais da turma: Fulano, meu computador parou, Fulano pode me ajudar aqui? Por sinal, os nerds, que eram um Fulano qualquer, ganham nome. Tornam-se até amigos dos populares! Bem, amigos, não, mas conhecidos. E isso é o que concluo a partir das experiências nos colégios que visito. Quando falo com os adolescente, quando ouço os adolescentes: nerds e patricinhas, nerds e punks, nerds e outros: existe mais mistura e menos exclusão, menos homogeneidade e mais aceitação.
Os nerds tornaram-se, especialmente nos últimos 5 anos (reflexo também dos últimos 10 anos de avanços tecnológicos), referência positiva, não apenas negativa. E, ao invés de receberem as zombarias gerais, eles também zombam. Ao invés de continuarem mudos, eles têm voz. E, o mais importante, perante aos colegas e aos professores: ao invés de serem esquecidos num canto, viram os exemplos do grupo.
E, pra terminar: se a vez dos nerds já chegou, e a tecnologia não para de evoluir, poderíamos prever, ainda pelo olhar sociológico, que os nerds só vão ficar mais e mais populares. E talvez o título deste post esteja errado. Não é a vez dos nerds. É vez sem volta.
























