Annie Piagetti Müller

Um pouco de tudo

junho29

Uma das características mais óbvias e, também, mais criticadas sobre a atual geração de adolescentes (os entitulados Zs), é a de transitarem por diferentes mundos, conteúdos e conceitos sem se aprofundarem em qualquer um deles. A visão negativista entende que desejar ser um pouco de tudo aponta um perfil de jovens muitas vezes incapaz de refletir, de formar sua massa crítica sobre determinado tema/assunto.

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Educadores preocupam-se com seus alunos em sala de aula: a navegação de blog em blog, de site em site, resume a era do hiperlink que não os (nos?) permite linkar. Os nativos do mundo digital experimentam justamente esta hiperatividade que os anteriores não tinham. Trata-se de um acesso ilimitado à informação, porém que, quando aprendido de forma superficial, produz um resultado limitado de conhecimento. Como podemos saber sem entender? Como podemos expirar sem antes inspirar?

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As primeiras duas imagens postadas aqui são fruto de uma pesquisa realizada com adolescentes entre 13 e 16 anos. Durante um grupo de foco que reuniu doze teens, eles foram orientados a criar um painel de colagens que definisse a sua geração. Entre as características mais assumidas, eles identificaram a si próprios como vaidosos, hedonistas e em busca de ser a little bit of everything. Claro que muitas críticas poderiam ser feitas a respeito dos aspectos prejudiciais sobre querer ser tudo (ou nada?). Mas, aqui, quero observar um outro lado sobre a característica multifunção dessa turma – a geração Z também é chamada de geração M, ou Multitasking, devido à capacidade de exercer muitas atividades ao mesmo tempo. E é justamente a era de hiperlinks lançada com a vinda da internet que gerou pessoas com a facilidade de fazer tantas coisas ao mesmo tempo e, em decorrência disso, fazer uma quantidade maior em detrimento, muitas vezes, da qualidade. O fazer muitas coisas ao mesmo tempo abre espaço para a seguinte constatação: podemos também ser muitas coisas em um só?

O autor Douglas Kellner no livro A Cultura da Mídia explica que, há algum tempo, os papeis bem definidos impediam essa mistura: mulheres eram grandes mães e donas de casa enquanto seus maridos eram exímios caçadores e os responsáveis pela vida financeira da família. No cenário presente, o autor cita Madonna como a personalidade que resume os dias multifacetados de hoje. Ela, uma cantora-pop e bastante sexy, também é autora de românticos livros infantis (As Rosas Inglesas).

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Na prática, vivemos isso mesmo: os adolescentes Zs que transitam por tudo um pouco tornam-se, de forma semelhante, um pouco de tudo. É o fim das tribos: roqueiros e pagodeiros podem conviver em harmonia. Mais. Pode-se inclusive gostar de um e de outro. Um bom exemplo desta abertura cultural é a união do nerd com a pin-up, como chamei a integração do perfil conhecido como estudioso/crânio/nerd, junto aos demais. Conhecedores da tecnologia – e por isso, apoderados de muitas verdades – os nerds tornaram-se caras legais, que entendem do que os adolescentes mais curtem hoje: ela própria, a tecnologia.

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Chamo este conceito do consumo da caveira cor-de-rosa. Ela que, culturalmente, sempre foi o símbolo  do movimento punk, torna-se objeto de desejo de meninas bem vestidas, que consomem lindas caveirinhas brilhosas em seus tênis, em suas roupas, no template de seus tumblrs. Um consumo já mais pink do que punk.

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Sabemos os malefícios da sociedade líquida, a pós-modernidade tão bem descrita por Zygmunt Bauman (o livro Modernidade Líquida é leitura obrigatória para melhor entender o mundo atual). Mas e o contraponto disso tudo? Onde fala-se sobre o que tem de bom em querer ser de tudo um pouco?

Na mesma pesquisa em que entrevistei e conversei com adolescentes sobre o tema, descobri um jovem menos preconceituoso, dado o enfraquecimento do conceito de tribo. Um jovem que julga menos e acha legal ser diferente. Um jovem mais aberto às misturas que antes seriam vistas como contradições. E, assim como definiram-se vaidosos, hedonistas e experimentadores da diversidade, eles também revelaram-se contra o preconceito, que foi citado entre os dois grupos pesquisados como uma preocupação. Certo é não dar nome às coisas. Legal é ser diferente, foram palavras pronunciadas por eles mesmos.

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A partir da características do adolescente de hoje, o conceito de ser um pouco de tudo pode ser positivo quando não precisamos mais ser um ou outro. Não apenas rock ou rule. Pode-se viver num mundo só.

O livro na TV!

maio10

Pessoal, trago boas novas literárias!
Nos últimos tempos a literatura sempre deixou de ocupar o seu lugar restrito ao papel (livros, revistas, impressos) e, como todos nós sabemos, passou também ao formato digital (Kindle, iPad, e-books). Chegou a época da leitura multimídia! Porém, ainda que falemos num mundo multimídia (e transmídia!), será que o livro já está em todos os meios?

Pense comigo: onde você mais se informa sobre dicas de leitura? Certamente você ouve a indicação de um amigo, procura na coluna dos mais vendidos ou após conhecer a história primeiro pelo cinema, lê a resenha ou resumo da obra num site ou em revista… Mas você já descobriu alguma nova leitura pela TV?

Sim, fico envergonhada, mas, por outro lado, preciso promover: estou dando dicas de livros na TV! Ai, é isso mesmo. E, embora a ideia central seja bacana (influenciar a leitura nos jovens pelo maior meio de massa, o televisivo), admito que me acho bem engraçada na telinha. Às vezes até curto um ou outro vídeo. Na maioria, me acho bem estranha. Mas, como a intenção é mostrar antes o livro e eu sou apenas um veículo (assim como a TV), mostro abaixo algumas dicas já veiculadas na TV. Por favor: concentrem-se no título, na capa, na proposta de leitura. A apresentadora é apenas uma metida. De verdade, ela é uma leitora (e escritora, dizem, nas horas vagas…).

O DIÁRIO ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTE DE UM ÍNDIO DE MEIO EXPEDIENTE:

A METAMORFOSE, DE FRANZ KAFKA:

A BATALHA DO APOCALIPSE

Espero que gostem das dicas! Critiquem, comentem, dividem! E leiam os livros, claro… Vamos provar que a TV influência inclusive uma boa leitura ;)

Beijo!
Annie

Vida de escritora

abril17

Leitores queridos!

Entrei em 2012 participando de uma campanha muito especial, sobre a qual já falei aqui: Ler é Tudo de Bom, promovida pela revista Todateen. Bem, o concurso literário terminou, revelando várias potenciais meninas escritoras!. Mas, para quem não acompanhou tudinho que rolou durante o período, deixo aqui registrados dois posts muito legais que saiu no blog da LTDB.

O primeiro, que escrevi especialmente para quem ama ler e, mais ainda, sonha em escrever. Uma real sobre a vida de escritora! Confere no link a matéria completa e uma degustação aqui no blog :)

http://todateen.uol.com.br/leretdb/?p=528

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Além deste e de outros posts meus que você pode conferir no blog, tem o texto Fadas Modernas, que criei para inspirar as meninas a participarem da promoção. Ou seja, foi o texto-exemplo da campanha. Bem legal, vale ler lá em http://todateen.uol.com.br/leretdb/?p=187

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Superbeijo e divertidas leituras, sempre sempre :)

Annie

Os donos do mundo

agosto21

Quem são os donos do mundo??

Refletindo sobre o poder do adolescente no mundo de hoje (enquanto eles já nasceram digitais, os mais velhos continuam sentindo-se os maiorais), vi um texto sair de mim rapidinho, expelido não sei por qual força, talvez pela constatação real de como é o jovem de hoje. Através das provocativas palavras abaixo, peço que tire suas próprias conclusões :)

“somos um pouco de tudo; de bruxas e vampiros, de anjos e deuses. fazemos caprichos do mal, somos muito do bem. somos de um lugar incerto, onde já existiu o errado e o certo. somos o grito virtual, em mínimos caracteres, e o grito real, eterna indignação com pais, políticos e professores. nesta intensidade toda, morremos de ciúme do outro: namorado, amigo, indefinidos. somos a pele arrepiada com os excessos da paixão. e a intocada, envergonhada pela sua ausência. nas diferenças, somos muito parecidos. esquisitos, às vezes. melhor assim: somos produto quase original, sombra do que ficou, parte que se criou. efeito da velocidade, somos a própria. afinal, experimentando antes, entendemos mais. melhor? entendemos um pouco de tudo. e isso nos basta. somos os donos do mundo”.

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Annie P Müller, um domingo ensolarado de inspiração, 21 de Agosto de 2011.

Geração 2em1

maio22

Faz um tempo que a minha dupla identidade já foi revelada. Eu, escritora, e eu, publicitária. Admito: ambas, sempre, em duelo. Quem sabe como é assumir duas atividades ao mesmo tempo (que desenrolam em mil outras atividades ao mesmo tempo), sabe como pode ser uma guerra entre Gregos e Troianos. Ou entre Vampiros e Bruxos, parafraseando a minha adorada literatura infanto-juvenil.

As fotos abaixo foram feitas sobre Eu, escritora, para o jornal jovem Kzuka e serão publicadas na edição de Junho. Enquanto isso, me pergunto: será que eles não deveriam ter escrito uma matéria sobre a Annie publicitária? Não é conflito de egos, embora assumir duas atividades diferentes signifique, justamente, lidar com mais de uma vontade do seu próprio ser. Representar dois papeis também é uma forma de caracterizar o mundo em que vivemos. Um espaço onde podemos ser mais do que uma pessoa só. Fazer mais do que uma única atividade. “We want to be a little bit of everything“, me disse uma adolescente certa vez. Copiando suas palavras, é isso mesmo que eu replico: queremos, podemos (embora nem sempre consigamos) ser mais do que uma coisa. Abaixo, a Annie autora, para conhecerem o espaço onde escrevo os livros, algumas reportagens, muitos tweets e este blog aqui.

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É um quarto de adolescente, isso mesmo! Com direito a coleção de lápis (é a maneira de eu trazer uma lembrança a ver comigo de cada lugar visitado), mural na parede (com as fotos da viagem à Amazônia, que inspirou meu último livro) e inutilidades úteis que poluem a escrivaninha (aqui, organizada para a sessão de fotos do jornal).

As fotos ficaram “fofas”, como diriam minhas leitoras. Afinal, meu quarto é fofo (enquanto ele ainda é meu, pois es antes dos 30 preciso acordar e deixar a casa de sempre). Mas a verdade – e não sou hipócrita – é que o jornal deveria ter me fotografado no escritório, onde os meus últimos dias estão sendo mais vividos, ocupados com a face publicitária, com escritas rápidas e visitas a colégios do que com o prazeroso e igualmente dolorido ato de escrever (que me intitula escritora, embora eu prefira dizer que escrevo, somente gosto de escrever, em meio aos dias agitados).

Bem, tudo isso para dizer que eu também sou da Geração 2 em 1.

Resta-nos imaginar como será a Geração Z, essa Mil em 1 que já nasceu e eu tô vivendo e escrevendo pra entender :)

Novidades da Turma do Meet

maio15

Num post bem curtinho, publico abaixo as últimas novidades sobre A Turma do Meet, a série de livros infanto-juvenis escrita por mim e lidas por jovens leitores como exemplo de que, sim, o adolescente adora ler :D

E, se você que vai ler abaixo é professor ou aluno de alguma escola colorida (aberta à leitura, digo), pode me chamar: vou com toda a vontade falar sobre o tema na sua sala de aula!

MEE 0001-11- newsletter abril - maio

TicToc Teen

fevereiro7

Ação da Samsung para o lançamento de seu novo MP3 “TicToc”, direcionado aos teen, envolveu diretamente o target na campanha. Melhor: os adolescentes foram as celebs das peças publicitárias.

A campanha foi centralizada no seu vídeo/filme de lançamento, cujas adolescentes seriam as pop stars de um grande clipe sobre o TicToc. Através de concurso divulgado e ativado todo dentro do Facebook, as adolescentes tinham de enviar vídeos com a corografia proposta pela marca, a fim de provar seus dotes em dança. Abaixo, a página do concurso no Facebook (endereço http://www.facebook/TicToc):

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As garotas mais charmosas ganharam a viagem para filmar na cidade de Seul, sede da marca na Coréia do Sul. O resultado é o filme abaixo. E alguém dúvida que elas sejam verdadeiras pop stars?

Campanha bacana, que integrou on e off line numa só ação. Palmas para Samsung. E quero experimentar o TicToc!

Converse & Google

fevereiro2

Duas palavras tudo-a-ver com a vida do adolescente: os tênis Converse All Star e o buscador Google. Com base nessa simples constatação, de que os teens passam tanto tempo usando seus Converse quanto fazendo buscas na internet, a Converse criou uma campanha digital muito inteligente. Comprou AdWords do Google (as palavras-chaves mais buscadas pelos adolescentes on-line) e, ao invés delas apenas levarem para seus sites, a Converse criou respostas para as dúvidas das garotas.

Um exemplo: ao digitar a frase “Como melhor xavequear uma garota”, o menino cairia num site da Converse com dicas de meninas falando como conquistá-las. Veja o vídeo para entender a ação:

Aprovada! E quero ver algum teen discordar se recebe uma surpresa divertida enquanto procurava um conteúdo sério… :)

Annie.

Leitura em sala de aula

fevereiro1

Em fevereiro já é tempo de volta às aulas e tempo de leitura também. Para ajudar a motivar a leitura enquanto diversão, criei um plano que orienta como trabalhar os livros da Turma do Meet em sala de aula: uma leitura que instiga trabalhos práticos nas diversas disciplinas, de arte a filosofia, de geografia a educação física.

http://www.aturmadomeet.com.br/img/plano_pedagogico/

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Literatura na mídia!

janeiro3

Livro também é produto que precisa ser anunciado!

Algumas vezes eu e minha editora já discutimos sobre o porquê do livro ser um produto tão pouco anunciado. Geralmente, ele se torna produto de massa apenas depois de estourar nas telas do cinema. Sendo assim, a propaganda já não é do livro, mas do filme (ou de ambos).

Minha visão publicitária permite afirmar que o uso da mídia para divulgar um livro pode trazer tantos benefícios quanto divulgar um sapato ou uma rede de fast-food. E a fórmula não difere muito: destacando os atributos do produto (é o “romance mais intenso da década” ou “a aventura definitiva sobre o descobrimento da América” ) pode-se chegar lá, no tão almejado título de best-seller (que substitui qualquer título inicial). Best-seller é o ápice, o desejo dos autores e de seus publicadores, a menos que ambos queiram ser lidos apenas pelas estáticas estantes. Sim, a indicação de um amigo sobre “a melhor leitura para as férias” pode valer mais do que outdoors e vinhetas de tevê. Porém, o mesmo acontece com a dica de um restaurante. Quando ela foi dada por aquele seu amigo Chef de cozinha, com certeza a confiança é maior do que no anúncio da revista Cláudia. E ouso mais ainda: arrisco a dizer que a mídia de um produto como o livro (tão interessante por si só) pode ir muito além dos formatos de mídia que outros produtos compõe.

Um exemplo bacana é o livro Alice no País das Maravilhas adaptado para o iPad. A linguagem dessa plataforma permite uma interação quase mágica (ao estilo dos jornais de Harry Potter) com esse personagem reconhecido mundialmente.

Eu fiquei emocionada quando baixei a Alice no meu mais novo-tecnológico-querido Tamagoshi:

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Alice é demais! E A Turma do Meet também pode ser, rsrs :)

Vejam a mídia busdoor que está circulando na capital de Porto Alegre neste mês (começando no Natal e entendendo-se pelo mês de janeiro).

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Quem sabe logo, logo a turminha também não chega no iPad? Não é promessa de ano-novo, mas estará na listinha de objetivos…

Um beijo midiático,
Annie

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