Annie Piagetti Müller

A vez dos nerds

janeiro7

Felizmente, no mundo de hoje (e que 2010 confirme este post!), os adolescentes nerds têm vez.

OK, o conceito de nerd pode ser discutível. Mas, vamos nos basear naquele sugerido pela Wikipédia: uma pessoa que exerce intensas atividades intelectuais, que são consideradas inadequadas para a sua idade, em detrimento de outras atividades mais populares.

Pois bem. Nerds são nerds. São aqueles adolescentes que lêem demais enquanto os outros fazem festa. Aqueles que usam a camiseta pólo da escola até na educação física, enquanto os outros usam regata. Aqueles que são menos orkut e mais gamesmenos flash e mais programação.

Tem uma parte da descrição da Wikipedia que aborda o nerd enquanto uma pessoa que tenha dificuldades de integração social e seja atrapalhada, mas que nutre grande fascínio por conhecimento ou tecnologia.

A tecnologia! Aí está o X, Y, Z, Ctrl C, Ctrl V da questão (como poderia escrever um nerd). A tecnologia sempre norteou o conceito de nerd, a exemplo da frase que conclui o conceito pela Wikipédia: O termo Nerd é normalmente dirigido a pessoas que utilizam o computador para executar ações que são consideradas avançadas por pessoas que não entendem o que foi feito, mesmo que seja um conhecimento básico e fácil.

Das considerações acima aparece a clara relação entre nerds & tecnologia. E a popularização dos nerds (que é o propósito deste texto) tem tudo a ver com… tchamram, tecnologia! Pensemos: qual foi a questão mais importante na mudança da cultura tecnológica, relacionada ao consumo de tecnologia dos últimos anos? A sua distribuição! A distribuição dos aparelhos foi ampliada, e, com isso, hoje a tecnologia está em todos os canais e pontos-de-venda. É acesso de (quase) todos.

A partir disso, a seguinte fórmula é fácil de entender: maior distribuição das tecnologias > aumento da popularidade sobre as mesmas > consumo de massa > produto pop > objeto de desejo por todos.

E os nerds, os primeiros e fiéis amigos dos apetrechos tecnológicos, tornam-se mais populares por, simplesmente, entender desse produto que se torna tão popular. Eles, que eram os excluídos, viram os salva-vidas das aulas de informática, os conselheiros digitais da turma: Fulano, meu computador parou, Fulano pode me ajudar aqui? Por sinal, os nerds, que eram um Fulano qualquer, ganham nome. Tornam-se até amigos dos populares! Bem, amigos, não, mas conhecidos. E isso é o que concluo a partir das experiências nos colégios que visito. Quando falo com os adolescente, quando ouço os adolescentes: nerds e patricinhas, nerds e punks, nerds e outros: existe mais mistura e menos exclusão, menos homogeneidade e mais aceitação.

Os nerds tornaram-se, especialmente nos últimos 5 anos (reflexo também dos últimos 10 anos de avanços tecnológicos), referência positiva, não apenas negativa. E, ao invés de receberem as zombarias gerais, eles também zombam. Ao invés de continuarem mudos, eles têm voz. E, o mais importante, perante aos colegas e aos professores: ao invés de serem esquecidos num canto, viram os exemplos do grupo.

E, pra terminar: se a vez dos nerds já chegou, e a tecnologia não para de evoluir, poderíamos prever, ainda pelo olhar sociológico, que os nerds só vão ficar mais e mais populares. E talvez o título deste post esteja errado. Não é a vez dos nerds. É vez sem volta.

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Sobre as garotas brasileiras

dezembro1

Recebi o Caderno Capricho no meu e-mail: uma pesquisa quantitativa realizada através do site da Capricho, com 1064 garotas classe A/B, sendo 80% entre 13 a 19 anos. Enquanto quantitativa já percebemos aí o seu nível informativo básico (tanto que a maioria das informações já são conhecidas). Ainda assim, sempre é um refresh de ideias e conceitos.

Aproveito as informações coletadas pelo Núcleo Jovem Editora Abril e faço as minhas considerações a partir de alguns tópicos mais curiosos. Afinal, o valor maior de qualquer pesquisa é a análise que fazemos dela. Vamos lá.

Internet

As garotas com mais de 13 anos já estão no twitter? Acredito que este número seja maior entre as 16+. Mesmo assim, mostra que o público teen já se faz presente no microblog. Isso me lembra quando entrei no Orkut (eu tinha 18 anos) e meu irmão, de 13, achou aquilo ridículo. Foi só a rede bombar que ele entrou. Fato que lança uma reflexão ambígua: os adolescentes são tanto lançadores de tendências quanto bons seguidores (para as meninas, vale chamá-las de copiadoras, maria-vai-com-as-outras mesmo). Dado confirmado pelo Caderno Capricho que mostra a influência de todo mundo (e do mundo todo) na vida das meninas.

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A opinião dos outros

As garotas compram em conjunto (e complemento: assim como vão ao banheiro juntas, não sabem ir sozinhas). Indo mais além das respostas da pesquisa, podemos entender o ato de compra enquanto um processo de socialização, mais do que em qualquer outra idade. Depois, tem vezes que até achamos chato ir às compras (leia-se o Natal que se aproxima). Bem, o que interessa, aqui, pros marketeiros, é o potencial de tornar o momento da compra a tal chamada “experiência”. Estamos proporcionando momentos que transcendem o comercial? Só assim pra seduzir essas garotas.

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O valor da imagem

A Capricho aponta para o valor da aparência. Eu já chamo isso de poder. Nas palestras para o jovem, sempre pergunto: o que é poder para você? A primeira resposta, dinheiro. A segunda, beleza. “Se não termos dinheiro sendo bonitos nós conseguimos”. Bem, tudo isso para eu parafrasear Jean-Paul Sartre que diz “Ler é Poder”. É claro que caio da cadeira. Mas, enfim: o poder da beleza também é apontado pela pesquisa Dossiê Universo Jovem MTV, que mostrou ser a vaidade a preocupação número 1. dos jovens de hoje. Por isso que resumo: elas são as novas pin-ups (explico melhor o conceito num próximo post).

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Ídolos

As garotas de hoje idolatram mais? Será? Bem, em mais intensidade com certeza. E mais rápido. São as relações líquidas inclusive ao nível platônico e virtual. Complementando o tópico “ídolos”, adiciono uma pesquisa que fiz com base no sucesso absurdo em termos de tempo, volume e visibilidade: o case Harry Potter. E como um ídolo pode ultrapassar gerações como o Harry Potter Conseguiu? Acontecerá o mesmo com Crepúsculo? Bem, High School Musical, Jonas Brothers e tantos outros já baixaram a poeira. Aqui, abre-se uma nova discussão: como um ídolo se torna uma marca? A sua marca causa idolatria (como Apple e  Converse fazem, por exemplo?). Pensemos juntos e deixamos esta pra próxima.

Tabus

Segunda a pesquisa, garotas que vivem em grandes centros não têm mais tantos tabus e enxergam o “selinho na amiga” uma demonstração de carinho. Cuidado lá, não podemos partir disso pra criar um anúncio página com o selinho entre duas best friends forever. Mesmo enquanto centro culturais, metrópoles e capitais não significam comportamento em massa. Sim, em São Paulo existem as moderninhas. Assim como numa cidade pequena, nas suas devidas proporções. Mas, também em São Paulo, existem centenas, milhares de garotas ainda românticas, tradicionais, aquela coisa e tal.

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Mais uma pesquisa pra nos fazer pensar. Dela, tirar insights. Ler e calar não satisfaz. Nem gera resultado. É preciso analisar criticamente. Ou corremos grande risco de colocar os pés pelas mãos!

Até,

Annie


Case de web marketing via API do Google Maps

novembro12

No mundo digital, inventar com relevância é possível. E, como consequencia, comunicar com relevância para o jovem do mundo digital também é. E foi através de uma verdadeira Caça ao Tesouro digital que descobri, na prática, como fazer isso (depois de algum tempo de ideias suadas e de storms with no brain).

Participei da criação de uma inovadora ação de web marketing criada pela agência gaúcha Pro-Target, que escondeu 100 calçados em forma de vídeo dentro do Google Maps. Os vídeos foram  espalhados em diversos pontos turísticos do Brasil. Através de um quiz, os participantes buscavam o destino secreto do vídeo e, assim, tiravam a sorte no encontro do Calçado Mississipi premiado.

Resumão sobre o resultado da promoção: durante as 4 horas de duração da promoção, o hotsite recebeu o acesso de 12 mil pessoas que permaneceram em média 16 minutos navegando pelas páginas da promoção.

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Você pode acompanhar a ação completa nos links abaixos:

Hotsite da Promoção:

http://www.calcadosmississipi.com.br/promocao/

Vídeo-case:

http://www.youtube.com/watch?v=K_wIwCPUk-c

Saiu na mídia:

Consumidor moderno: http://consumidormoderno.uol.com.br/blog/blog-da-redacao/calcados-mississipi-lanca-promocao-de-calcados-no-google-maps/view

Mundo do Marketing: http://www.mundodomarketing.com.br/3,11380,calcados-mississipi-faz-acao-no-google-maps.htm

Vitrine Publicitária: http://www.vitrinepublicitaria.net/noticiasdomercado2.asp?menucodigo=5021&PagAtual=20

Portal da Propaganda: http://www.portaldapropaganda.com.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=13533&Itemid=50

Promoview: http://promoview.com.br/canais/acao-inovadora-de-web-marketing-no-google-maps/

E rolou muuuito mais!

Nesta semana agitada eu ainda apresentei o case em dois grandes eventos, no Intercon2009 e na faculdade ESPM de Porto Alegre: http://www.adonline.com.br/ad2005/rapidinhas_detalhe.asp?id=23490

Espero que gostem!
Valeu,

Annie

O consumo da caveira cor-de-rosa

novembro8

Foi o tweet do @gpavoni que motivou a escrita do meu segundo post aqui no blog.

“a @anniepmuller resume o comportamento do jovem atual na figura da caveira cor-de-rosa… e é realmente interessante isso”.

Vindo de um cara afogado na cibercultura (ele tem a maior comunidade de Cyberpunks do Orkut), eu só posso me inspirar. Veja a própria definição sobre si mesmo que Gilberto Pavoni faz: “Jornalista. Designer de interrogações. Descaroçador de hypes. Cool Hunter sócio-digital. Viciado empírico cibercultural”.

Bem, conheci o @gpavoni no Intercon, do iMasters, onde falei sobre Jovem na Cibercultura num espaço nada mais nada menos do que o Cyberpunks. E, agora, vamos pro Sr. Segundo Post – de muitos que estão por vir.

O JOVEM E O CONSUMO DA CAVEIRA COR-DE-ROSA

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O consumo da caveira-cor-de-rosa é um conceito baseado na pesquisa que realizei a partir da análise do Dossiê Universo Jovem MTV #3, que revelou a existência de 6 grupos de jovens distintos, com comportamentos igualmente diferentes, personalidade, enfim.

E eu, aos 20 anos, metida a “Posso Tudo”, resolvi fazer a seguinte pergunta de pesquisa: EXISTE ALGO EM COMUM ENTRE ESSES DOIS GRUPOS DE JOVEM?

Alguma linha de conduta semelhante? Uma temática de discussão comum aos dois grupos? Visões de mundo compartilhadas da mesma forma? Gostos estéticos? Música?

Marketeiramente falando: podemos comunicar aos dois grupos através de uma mesma forma?

Seja a forma qual ela for: me refiro a conteúdo, pensando que forma e conteúdo são indissociáveis.

Um dos resultados após 200 questionários aplicados e 2 grupos de foco realizados, foi a menção de uma palavra que foi abordada da mesma forma pelos dois grupos. A palavra DIVERSIDADE.

Palavrinha tão usada tanto nas discussões da ONU quanto nas de sala de aula. O mundo é um só (outro post futuro!).

Bem, o que significa, para o jovem da Geração M, o conceito de DIVERSIDADE?

Significa, em suma, PERMITIR. Permitir ser, falar, usar o que quiser. Nem mais nerds ou patricinhas. Tribos antes extremas e desassociadas. Os jovens, todos eles, me disseram: I WANT TO BE A LITTLE BIT OF EVERYTHING. OK, ainda sou patty. Sim, ainda me chamam de nerd. Mas não significa que preciso excluir um ou outro.

Não tem mais definição! O autor Douglas Kellner, no livro A Cultura da Mídia, explora bem o assunto usado pelos “meus” teens. Não existe mais aquela coisa da mulher em casa cozinhando e o homem trabalhando. É tudo um só. O melhor exemplo sugerido pelo autor é a Madonna, que dança Like a Virgin e tem livros infantis publicados. É  a reunião do todo.

A partir do contato junto aos jovens, nos colégios, nas feiras de livro, nas pesquisas, é possível resumir que a diversidade, para a juventude de hoje, é exemplificada na seguinte imagem:

O CONSUMO DA CAVEIRA COR-DE-ROSA.

A caveira: sinônimo de crânio, mas na verdade é o símbolo da morte. Ícone adotado pelos punks, roqueiros, darks simpatizantes.

Para o jovem da Diversidade: caveiras vestem laços, são pintadas de rosa, sorriem, se divertem – não tem nada de dark, enfim!

É O CONSUMO DA DIVERSIDADE. WE CAN BE A BIT OF EVERYTHING.

A pesquisa foi realizada durante o período de 1 ano e, depois, vou publicar aqui o artigo completo que fiz sobre ela (este post é só uma provocação e uma desculpa pra não ficar sem escrever após o primeiro dia de lançamento do blog).

Valeu!

Annie

Lançando esse blog direto do #Intercon2009

novembro7

Estou em São Paulo, no Habib’s, almoçando no intervalo do Intercon2009, grande evento de mídia e tecnologia. E foi ideia da Ariadne eu escrever esse post aqui.

Afinal, preparei tudo e todos para a minha apresentação sobre Jovem e Cibercultura, só não tinha ainda escrito aqui. Até o Samuel, minha dupla de criação, trabalhou motivado na criação do layout. Motivado pela ideia de o blog ser mega acessado, virar hype, cool, cult, de gerar trilhões de page views em três horas e… Tá legal, o Samuel nem pensou nada disso.

Ele é webdesigner e ama criar. Principalmente para o público jovem. Afinal, o jovem motiva, energiza! Primeiro, porque tem dentro de si inovação intrínseca, sede do diferente, inspiração própria. E, claro, o Samuel tem 18 anos. Não poderia ser diferente. Criar de jovem pra jovem é, pra mim, o canal mais verdadeiro pra comunicar com a mesma linguagem, fazer propaganda direta, sem soar falso.

Por isso, esse blog. Pra quem entende de jovem falar sobre ele, com ele, pra ele. Além de pesquisadora do tema, vou publicar aqui causos e tweets que vejo nas escolas, nos twitters, nos orkuts dos meus leitores teens. Um espaço não apenas para as pesquisas formais, mas para as observações espontâneas feitas no dia-a-dia junto ao jovem.

No quarto.

Na escola.

No computador.

No banheiro.

É isso aí. O banheiro tem papel essencial na identidade juvenil atual. Ou desde sempre? Logo, logo vou falar mais sobre isso aqui.

Sejam bem-vindos. O post é curto, assim como o jovem, que é direto (na verdade preciso voltar voando pro Intercon, é quase hora de eu parlar!).

Tá lançado o blog. Oficialmente! Direto de SP. Ao lado da galera (seja jovem de idade ou de espírito) que mais entende de mundo digital do Brasil. Abaixo está parte do grupo, os #cyberpunks reunidos pós-evento.

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Valeu e até breve,

Annie.