Os adolescentes estão em pauta
Os adolescentes estão, inclusive, na pauta dos veículos mais reconhecidos do mundo. Foi isso que vi durante visita ao National Portrait Gallery, em Londres. Fui acompanhar a exibição do Taylor Wessing Prize, que premia os novos talentos fotográficos da Europa.
É claro que visitei o National Portrait Gallery enquanto turista, curiosa, sem nenhuma intenção de ver/pesquisar o comportamento adolescente. E a minha surpresa: das 3 fotos vencedoras, duas abordavam a temática ADOLESCÊNCIA.
Os adolescentes estão em pauta. Melhor, estão no topo da agenda. É só atentarmos para os dados abaixo:
* Harry Potter é a marca com maior número de comunidades vituais criadas espontaneamente
* O Teen Choice Awards é a premiação que não define apenas o comportamento teen, mas tendências mundiais de comportamento (entre moda, música, cinema)
* Dos 10 livros mais vendidos, 6 títulos são direcionados aos jovens (segundo a lista dos + vendidos da última semana)
E, o mais inquietante, é o tal do prêmio inglês. Afinal, me parece um tanto incomum ver os jovens invadirem o National Portrait Gallery, uma das galeriais mais renomadas do mundo. E invadirem sem fazer bagunça, sem atravessar pulando as salas do museu, com centenas de outros colegas ansiosos. Eles invadiram as paredes mesmo.
Globalization of Intimacy
Na foto que tirou o segundo lugar, a fotógrafa exprime o conceito de Globalização da Intimidade. E o adolescente é, por si só, o melhor exemplo do conceito. Na imagem as duas garotas estão no local mais íntimo do mundo, o quarto, enquanto, por outro lado, dividem-se em seus lap tops e iPods. Intimidade conectada. Ou seria intimidade cortada?

A questão do mal-humor
Já na imagem abaixo, o autor alegou ter inspirado-se na filha e sua turma de amigas. As seguidas idas ao Mc’Donalds o motivaram a fotografar um típico momento em que elas estão, segundo o fotógrafo, “reunidas fisicamente, mas perdidas em seus próprios pensamentos”. Próximas e distantes. De fato, típico dos teens.

Hormônios versus neurônios
Pegando o gancho da foto acima, é normal falarmos nos adolescentes e tão logo associarmos ao seu mal-humor . Geralmente credita-se tal mudança brusca de gostos, ideias e paixões aos hormônios em ebulição.
Uma hora ele beija a mãe, noutra vira a cara. Uma hora gosta, noutra desgosta. Enfim, é isso aí, não fosse um detalhe enorme e errôneo: não são os hormônios que provovam tais mudanças na galera, mas os neurônios.
O cérebro, a partir dos 11 anos, entra num novo processo de mudanças neuroniais, equivalente ao que acontece nas crianças com cerca de 5 anos de idade (bem, vou poupar os detalhes para não trocar informações). Dados detalhados de como tudo isso acontece podem ser encontrados no livro Como Entender a Cabeça dos Adolescentes, da neurologista norte-americana Barbara Strauch.
O que nos interessa, aqui, é entender que o mal-humor não vai ser extinguido. Ao contrário, ele deve ser interpretado, aceito, trabalhado enquanto um fator inerente à adolescência. Como parte do processo de comunicação com o adolescente. E, assim, entendendo-o e respeitando-o, fica mais fácil de falar o que eles desejam ouvir.
Até a próxima!
Annie
PS.: para acompanhar o prêmio Taylor Wessing Prize, que sempre revela novos grandes artistas:
2008:
http://www.npg.org.uk:8080/photoprize/site/exhibition_exhibitors.php
2009:













Realmente, o mercado adolescente é fato. Interessante tb saber sobre as razões do mal humor, que não são apenas hormonais, mas neuroniais. Obrigada pelo esclarecimento.